O interesse de toda a sociedade em relação aos pequenos negócios é explicado pelo seu grande significado político e económico. Político porque as micro e pequenas empresas funcionam como factor de equilíbrio da estrutura empresarial e coexistem com as grandes empresas. Económico porque geram grande número de empregos, por isso, contribuem significativamente na geração de receitas e na produção de bens.
No entanto, muitos empresários não conseguem manter as portas de suas empresas abertas por muito tempo. O que leva tantas empresas à extinção? O que faz com que outras sobrevivam às dificuldades sucessivas?
O fracasso pode estar ligado à falta de dinheiro no mercado, escassez de recursos próprios, entrada de novos concorrentes e mudanças das políticas do governo. Mas, uma das causas mais frequentes do fracasso está ligada, directamente, aos próprios empreendedores, isto é, à falta de habilidade administrativa, financeira, tecnológica e de perspectiva de mercado.
A força que empurra o empresário para o sucesso é, sem dúvida, a vontade de enfrentar o desafio de abrir o próprio negócio. Mas somada a essa vontade tem que haver a disposição para adquirir conhecimentos e para desenvolver comportamentos adequados a empreendedores bem-sucedidos.
Pesquisas feitas com empresários de sucesso identificaram qualidades especiais comuns a todos eles e que foram responsáveis por garantir o seu lugar no mercado. De entre uma destas qualidades, está a importância que os empresários dão ao plano de negócios, utilizando-o não apenas como um documento para captação de recursos, mas como uma ferramenta de gestão empresarial, sendo visto como um mapa que guiará a empresa ao seu destino e ao cumprimento dos seus objectivos.
Empreendorismo designa os estudos relativos ao empreendedor, o seu perfil,as suas origens, o seu sistema de actividades, o seu universo de actuação. O termo Empreendedor é utilizado para designar, principalmente, as actividades de quem se dedica a geração de riquezas, seja na transformação de conhecimentos em produtos ou serviços, na geração do próprio conhecimento, ou na inovação em áreas como marketing , produção , organização, etc.
Empreendorismo corporativo – procura trabalhar os conceitos do empreendedorismo e da inovação através de programas voltados ao desenvolvimento do perfil empreendedor de funcionários e executivos e na implementação de novos projectos e negócios corporativos. Aplica-se a empresas já constituídas, de médio e grande porte, através de treinos, seminários, workshops e consultorias.
Empreendorismo de start-up – procura trabalhar com potenciais empreendedores e empresas inovadoras em estágio inicial de desenvolvimento, através de treinos, consultorias relacionadas ao empreendedorismo, plano de negócios, inovação e capital de risco.
Origem e evolução histórica
Razões de empreendorismo
Características
Empreendorismo em 7 passos

Origem e evolução histórica
A palavra empreendorismo foi utilizada pelo economista Joseph Schumpeter em 1950 como sendo uma pessoa com criatividade e a fazer sucesso com inovações. Mais tarde, em 1967 com K. Knight e em 1970 com Peter Drucker foi introduzido o conceito de risco, uma pessoa empreendedora precisa arriscar em algum negócio. E em 1985 com Pinchot foi introduzido o conceito de Intra-empreendedor, uma pessoa empreendedora mas dentro de uma organização.
O termo empreendorismo é um neologismo que deriva da palavra entrepreneurship, o qual é utilizado para designar o estudo do comportamento do empreendedor, aquele indivíduo que transforma sonhos em resultados. O empreendorismo é visto como um factor de transformação pelo seu carácter inovador e está relacionado com práticas e valores pessoais. A origem francesa da palavra também significa ter atitudes psicológicas representadas pelo desejo de iniciar, desenvolver e concretizar um projecto. No sentido prático, o empreendorismo contribui para a criação de novos negócios e contribui para a dinamização da economia.
O empreendorismo é assim a arte de fazer acontecer com criatividade e motivação. Esta peculiar fora de estar consiste no prazer de realizar com vontade e inovação qualquer projecto pessoal ou organizacional, em desafio permanente às oportunidades e riscos. É assumir um comportamento pró-activo diante de questões que precisam ser resolvidas.
O empreendorismo é o despertar do indivíduo para o aproveitamento integral de suas potencialidades racionais e intuitivas. É a busca do auto-conhecimento em processo de aprendizagem permanente com atitude de abertura para novas experiências e novos paradigmas.
Análise histórica
A palavra empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo de novo.
Século XVII: Os primeiros indícios de relação entre assumir riscos e Empreendorismo ocorreram nessa época, em que o empreendedor estabelecia um acordo contratual com o governo para realizar algum serviço ou fornecer produtos. Richard Cantillon, importante escritor e economista do século XVII, é considerado por muitos como um dos criadores do termo Empreendorismo, tendo sido um dos primeiros a diferenciar o empreendedor (aquele que assume riscos), do capitalista (aquele que fornecia o capital).
Século XVIII: Nesse século o capitalista e o empreendedor foram finalmente diferenciados, provavelmente devido ao início da industrialização que ocorria no mundo, através da Revolução Industrial.
Século XIX e XX: No final do século XIX e início do século XX, os empreendedores foram frequentemente confundidos com os administradores (o que ocorre até os dias actuais), sendo analisados meramente de um ponto de vista económico, como aqueles que organizam a empresa, pagam empregados, planeiam, conduzem e controlam as acções desenvolvidas na organização, mas sempre a serviço do capitalista.
O comportamento empreendedor impulsiona o indivíduo e transforma contextos. Resulta na destruição de velhos conceitos, que por serem velhos não têm mais a capacidade de surpreender e encantar. A essência do empreendorismo está na mudança, uma das poucas certezas da vida, como sabemos.
O empreendedor pode ser visto como um visionário que tem a capacidade de identificar oportunidades e fazer das suas ideias um produto de sucesso. É uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões. O processo criativo do empreendedor gera novos contextos e promove o desenvolvimento de novos negócios. O sonho do empreendedor é transformado em realidade através de trabalho intenso, motivação e perseverança, sem magia ou truques.
Se quisermos estudar o empreendorismo, temos que colocar o foco na natureza comportamental do ser humano diante dos desafios. O ponto-chave está na ideia do caminho não percorrido anteriormente, no caminho ainda não escolhido nem trilhado por alguém antes. Para o empreendedor as mesmas coisas de sempre podem ser vistas com outros olhos, como disse um dia Marcel Proust. Trata-se de um exercício de percepção e de reformulação de conceitos estabelecidos e herdados através do conhecimento geralmente vivido por outras pessoas. É ver o mundo com novos olhos, com novos conceitos, com novas atitudes e propósitos. É experimentar a liberdade de aprender a aprender, considerando a possibilidade de errar e de corrigir, de se perder e de se encontrar.
O empreendedor é um inovador de contextos. As suas ideias resultam na validação do mercado. Inovar é transformar uma ideia difusa em produtos ou serviços com novos valores agregados. Inovar consiste em validar uma ideia através de um processo que segundo Wallas & Patrick é constituído de quatro fases: preparação, incubação, iluminação e verificação.
As actividades do empreendedor estão relacionadas com criação de riquezas, através da transformação do conhecimento ou através da criação do próprio conhecimento ou na inovação em áreas importantes do negócio. Não é, todavia, uma questão de acumular conhecimento, mas a introdução de valores e atitudes para se lidar com o risco, a capacidade de inovar, perseverar e conviver com incertezas.
O empreendorismo proporciona um elevado grau de realização pessoal. As pessoas são recompensadas pelo prazer que encontram no trabalho onde o negócio é o resultado da exteriorização dos próprios valores internos. As atitudes do empreendedor são construtivas, sobeja o entusiasmo e bom humor, condição fundamental para a manutenção do equilíbrio emocional e do exercício da criatividade. Para o empreendedor não existem apenas problemas, existem problemas com soluções. Procurar as soluções passa a ser o grande desafio à mente inquieta, que tem como maior recompensa o reconhecimento do seu esforço. Ser empreendedor é preparar-se emocionalmente para o cultivo de atitudes positivas no planeamento da vida. É procurar o equilíbrio nas realizações, considerando as possibilidades de erros como um processo de aprendizagem e aperfeiçoamento. Ser empreendedor é induzir ambientes mentais criativos, transformando sonhos em riqueza.
O sentido empreendedor da criatividade está na validação do que se cria, ou seja, na resolução de problemas do mundo real. Os espaços abertos da criatividade são ilimitados e podem também gerar devaneios, que embora sejam ricos como exercícios mentais, não se apresentam como úteis no dia-a-dia das pessoas. A utilidade da criatividade empreendedora está na inovação e na geração de novos contextos nas diversas áreas das actividades humanas, tanto de tecnologia como de comportamento.
A criatividade empreendedora envolve novidade, surpresa, originalidade, talento pessoal, visão da vida, procura de saídas e gestão de resultados. Quem desenvolve e cultiva a criatividade empreendedora está à procura do sucesso. O empreendedor criativo está oferecendo soluções para os seus clientes. Os problemas estão diante de nossos olhos. As soluções também!
Razões do empreendorismo
O Empreendorismo procura a auto-realização que quem utiliza este método de trabalho, estimula o desenvolvimento como um todo e o desenvolvimento local, apoiando a pequena empresa , aumentando a base tecnológica , cria empregos, evita armadilhas no mercado que está inserido.
| Características |
Gerente |
Empreendedor |
Intra-Empreendedor |
| Motivação |
Poder |
Liberdade de acção. Auto-motivação |
Liberdade de acção e recompensa. Organizacional. |
| Actividades |
Delega a sua autoridade |
Arregaça as mangas. Colabora com os outros. |
Delega mas colabora |
| Competência |
Administração, política |
Negócios, gerência, política |
Empreendedor com mais habilidade política |
| Interesses |
Acontecimentos internos da empresa |
Tecnologia e mercado |
Dentro e fora da empresa, mercado |
| Erros |
Evitar erros |
Aprendizagem com erros |
Erros são evitados mas aprende com eles |
| Decisões |
Interage do assunto para depois delegar |
Visão e decisão própria, Acção versus Discussão |
Fundamentação |
| Sistema |
Burocracia o satisfaz |
Se o sistema não o satisfaz, constrói o seu |
Acomoda-se ou provoca curto-circuito |
| Relações |
Hierarquia |
Negociação |
Hierarquia "amiga" |
Caminhos de empreendedor
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Caminho 1 (Auto-conhecimento):
Espaço de sí estreito (Teoria X) versus. Espaço de sí amplo (Teoria Y).
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Caminho 2 (Perfil do empreendedor):
Comparação das características do empreendedor e da pessoa.
- Caminho 3 (Aumento da creatividade):
Dominar os processos internos para gerar inovação e criatividade.
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Caminho 4 (Processo visionário):
Desenvolver uma visão e aprender a identificar oportunidades.
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Caminho 5 (Rede de relações):
Estabelecer relações que possam servir de suporte ao desenvolvimento e aprimoramento da ideia do negócio e sua sustentação.
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Caminho 6 (Avaliação das condições para iniciar um plano):
Reunir e avaliar todas as condições para elaborar um plano.
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Caminho 7 (Plano de negócio):
Metas mensuráveis, flexibilidade no plano, indicadores de evolução, compromisso colectivo, revisão de metas, aprender com a experiência.
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Caminho 8 (Capacidade de negociar e apresentar uma ideia): Cooperação entre pessoas, parceiros ou empresas para alcançar objetivos de tal forma que todos saiam ganhando.
Características
Uma pessoa empreendedora precisa ter características diferenciadas como originalidade, ter flexibilidade e facilidade nas negociações, tolerar erros, ter iniciativa, ser optimista, ter auto-confiança e intuição e ter visão para negócios futuros. Um empreendedor é um administrador , tem de conhecimentos administrativos, ter uma política para a empresa , ter diligência, prudência e comprometimento.
As coisas podem ficar melhores. Um empreendedor deve acreditar que o modelo actual pode ser melhorado. Ele compreende que não será nada fácil traduzir esta frase em resultados e por isso, é a primeira pessoa a aceitar o desafio de mudar. É a primeira pessoa a se responsabilizar caso algo falhe em toda a trajetória do empreendimento. Empreendedores gostam de mudanças.
A arte de ver mais longe e evoluir com erros. Através de mudanças, se obtém experiências e estas, traduzem-se em ciência, que por sua vez é utilizada para fins evolutivos. Logo não parece ser apenas um golpe de sorte, quando observamos elevado know how de empreendedores em ambientes de negócios. Quando há evolução, há melhora. Definitivamente, empreendedores são pessoas que não apreciam situações de normalidade ou mediocridade. Empreendedores são antes de tudo, pessoas que tem a capacidade de enxergar o invisível. A isso, intitula-se a famosa máxima: Empreendedores possuem visão.
Empreendedores adoram não como resposta. Inovações em corporações e corporações com inovações, surgem em sua maioria das vezes, em momentos de necessidade. Momentos de necessidade procuram grandes soluções, que por sua vez, procuram grandes idealizadores. Para qualquer solução necessária, exige-se riscos e tentativas. Riscos e tentativas costumam estar presentes em ambientes dinâmicos e hostis. Em resumo, alguém precisa ter "estrutura" profissional e emocional para ir em direcção contrária do fluxo praticado. Em primeira estância e, em 99% das vezes, o primeiro feedback solicitado trará péssimos incentivos. "Não, isto não vai dar certo". Empreendedores adoram não como resposta, eles seguem adiante exaurindo possibilidades e visionando o por vir.
Empreendorismo em 7 passos
1. Assumir riscos. Esta é a primeira e uma das maiores qualidades do verdadeiro empreendedor. Arriscar conscientemente é ter coragem de enfrentar desafios, de tentar um novo empreendimento, de buscar, por si só, os melhores caminhos. É ter autodeterminação. Os riscos fazem parte de qualquer actividade e é preciso aprender a lidar com eles.
2. Conhecer o ramo. É essencial que conheça o mercado e o ramo em que pretende actuar. Deste modo, é-lhe mais fácil perceber as hipóteses de sucesso e prevenir-se em relação a percalços que possam surgir.
Se não possui um bom conhecimento do ramo procure aprender tudo sobre o seu negócio com a ajuda de clientes, colaboradores, parceiros, etc. Faça algumas leituras e cursos. Lembre-se de que precisa manter-se actualizado e em constante aprendizagem.
2. Identificar oportunidades. Ficar atento e perceber, no momento certo, as oportunidades que o mercado oferece e reunir as condições propícias para a realização de um bom negócio é outra marca importante do empresário bem-sucedido. Este é um indivíduo curioso e atento a informações, pois sabe que suas oportunidades melhoram quando seu conhecimento aumenta.
3. Conhecimento, organização e independência. Quanto maior o domínio de um empresário sobre um ramo de negócio, maior será sua capacidade de ter êxito. Esse conhecimento pode vir da experiência prática, de informações obtidas em publicações especializadas, em centros de ensino, ou mesmo de "dicas" de pessoas que montaram empreendimentos semelhantes. Possuir senso de organização, ou seja, ter capacidade de utilizar recursos humanos, materiais, financeiros e tecnológicos de forma racional. É bom não esquecer que, na maioria das vezes, a desorganização principalmente no início do empreendimento compromete seu funcionamento e seu desempenho.
4. Tomar decisões. O sucesso de um empreendimento, muitas vezes, está relacionado com a capacidade de decidir correctamente. Tomar decisões acertadas é um processo que exige o levantamento de informações, análise fria da situação, avaliação das alternativas e a escolha da solução mais adequada. O verdadeiro empreendedor é capaz de tomar decisões correctas, na hora certa.
5. Liderança, dinamismo e optimismo.Liderar é saber definir objectivos, orientar tarefas, combinar métodos e procedimentos práticos, estimular as pessoas no rumo das metas traçadas e favorecer relações equilibradas dentro da equipe de trabalho, em torno do empreendimento. Dentro e fora da empresa, o homem de negócios faz contratos. Seja com clientes, fornecedores e empregados. Assim, a liderança tem que ser uma qualidade sempre presente. O optimismo é uma característica das pessoas que enxergam o sucesso, em vez de imaginar o fracasso. Capaz de enfrentar obstáculos, o empresário de sucesso sabe olhar além e acima das dificuldades.
6. Planeamento e plano de negócios. Existe uma importante acção que somente o próprio empreendedor pode e deve fazer pelo seu empreendimento: planear, planear e planear.
7. Sexto sentido empresarial. Intuição, sensibilidade e faro empresarial, características inatas mas que podem ser treinadas e trabalhadas.
Fonte: Wikipedia, Prof. Dr. José Dornelas
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